Poleiros Adequados para Psitacideos: Acessório de luxo ou necessidade!?

29/12/2011 08:44

 

Prezados leitores e amigos! É com prazer que escrevo para vocês e para quem é fã dos psitacídeos o artigo é para vocês. Já falei de calosidade em aves de torneio em edições anteriores então hoje falaremos sobre Poleiros e afins em Psitacídeos. Aproveito a oportunidade para mandar um forte abraço aos Amigos do Curió e para o Grupo Curió Praia Clássico onde sou integrante da parte Veterinária e que sempre colaboram em vossa Revista com artigos e releasing de eventos.

Hoje estou em um ritmo light depois das revelações das edições passadas. Por isso o foco hoje é diferente, mas nem por isso menos polêmico. Mas para não perder o hábito e como sempre de uma forma irreverente e técnica desejo uma boa leitura hoje.  

Diferente dos passeriformes, os psitacídeos de médio e grande porte principalmente (calopsitas, papagaios, araras, etc.) quando em cativeiro raramente voam e sim caminham e escalam com a ajuda do bico. Sendo assim, temos que observar com cuidado os tipos de poleiros que utilizamos em suas gaiolas bem como seu posicionamento para que as fezes não caiam sobre a água ou a comida, nem tão pouco sobre o poleiro inferior.

Uma higiene adequada aliada a uma boa distribuição dos poleiros evitará distúrbios simples como as pododermatites e as calosidades. Estas aves tem em sua maioria uma expectativa de vida bem grande. Portanto, além da alimentação balanceada, cuidados de um veterinário especializado em aves, devemos nos preocupar muito com os poleiros. Isto mesmo, os poleiros!

Mas você vai me falar que seu papagaio adora o único poleiro dele na gaiola.. aquele todo sujo e lisinho que chega a brilhar... claro que não! Se ele aprendesse a falar a primeira coisa seria para colocar uma empuleiração adequada, pois papagaio não usa tênis com amortecedor.

Como estas aves vivem muitos anos, elas também têm a possibilidade de desenvolver artrose ou outros problemas metabólicos que afetam a articulação como a gota úrica que não é bem o nosso caso hoje. O que fazer então Dr. Felipe?

Bem, o ideal é que utilizemos poleiros de madeira com espessuras diferentes. Poleiros que a ave não escorregue com facilidade. Galhos de arvores, como goiabeiras por exemplo que são bem resistentes aos bicos afiados, são uma grande escolha. Porém, deve-se ter muito cuidado ao coletar estas madeiras na natureza, já que elas são utilizadas por outros pássaros que vivem soltos (pombos, rolinhas, etc) que podem trazer doenças para sua ave. Aí volto a dizer, procure um veterinário especializado em aves e animais silvestres para que ele lhe ensine o melhor desinfetante e a melhor maneira de prepará-lo antes de colocar na gaiola ou viveiro. Nunca colete galhos e coloque na gaiola diretamente antes de prepará-los, ok?

Poleiros de plástico que eram muito comumente utilizados, para psitacídeos não são muito indicados, que por terem seus bicos muito fortes, os destroem com grande facilidade e estes pedaços que são arrancados dos poleiros podem ser ingeridos ou acabar machucando a pata da ave. O mais indicado mesmo são os poleiros de madeira, bem higienizados/desinfetados e limpos periodicamente.

Nessa altura do artigo você já está tenso e falando dos potinhos de comida que são de plástico ne!? Então também aí vai outra dica, utilize potes de cerâmica (ramequins) ou de aço inox que são atóxicos e muito fáceis de serem higienizados, ok?

O que falar então das correntinhas utilizadas nessas aves!? Infelizmente é uma questão cultural que vem dos nossos avos.. mas com o tempo vamos mudar essa realidade. Se não quer que sua ave voe realize corte de penas das asas com a supervisão de seu veterinário regularmente; assim estará limitando o voo da mesma e duvido que com um corte bem feito e no tempo certo sua ave voe.

Acidentes com esse tipo de material são comuns levando muitas vezes a perda de dedos ou o membro por necrose ou posterior amputação. Existem produtos super seguros como as peitorais da nossa amiga Silvania do Atelier dos Pássaros que tem por objetivo maior proporcionar um lazer e interatividade com o proprietário sem causar danos ao animal se usado corretamente e no tempo adequado.

Existem também poleiros terapêuticos que já são feitos para prevenir artroses além de serem muito úteis para aves que tenham alguma deformidade nas patas (acidentais ou congênitas), como falta de dedo; entortamento de dedos, etc.

Despeço-me por aqui. Desejo a todos um ótimo final de ano e encontro vocês em breve.

 

 

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      Dr. Felipe Victório de Castro Bath

   Médico Veterinário CRMV-RJ 8772

Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO

  Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ

 

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