Endogamia e suas Anomalias Genéticas

25/10/2015 20:04
Olá amigos! Mais uma vez trago um assunto de muito interesse, para não dizer polêmico, por parte dos criadores de curios e bicudos principalmente, mas adianto que procurem um especialista para tratar do assunto, uma vez que erros nesse quesito podem demorar algumas gerações para serem corrigidos. Neste artigo teremos como objetivo introduzir o leitor neste assunto. Primeiramente, precisamos definir alguns termos. Homozigose é a presença de duas cópias do mesmo alelo em um loco gênico. Heterozigose é quando há alelos diferentes dentro do mesmo loco gênico. Fenótipo é a forma que o genótipo se apresenta com a influencia do meio e genótipo é a combinação de alelos presentes naquele loco gênico. A primeira das preocupações é a manutenção da variabilidade genética na população. Ela é importante para a sobrevivência da população, pois a homozigose passa a expressar características que antes eram inibidas pela heterozigose. A segunda é a endogamia, que acontece quando são cruzados indíviduos com alto grau de consanguinidade, dessa forma eliminando heterozigoses e favorecendo homozigoses. A terceira é a preocupação com cruzamento entre indivíduos de populações muito diferentes, o que pode causar tanto prejuízo quanto à endogamia. E como tudo isso diz respeito à criação de aves com um objetivo em específico? Escolha bem as matrizes e tenha um sistema sólido para a escolha e reprodução das aves! Populações em cativeiro são apenas amostras de populações naturais, perdendo-se boa parte da diversidade genética presente na natureza por si só. Se o objetivo for fixar alguma característica em específico, indivíduos parecidos ou mesmo consanguíneos podem ser cruzados, mas sempre considerando o objetivo e a metodologia utilizada pra isso. Tais anomalias são geradas de duas formas: por hereditariedade ou de forma congênita. A primeira acontece da maneira que falamos antes (geneticamente e são passadas para a próxima geração) e a congênita (por alterações na fisiologia da matriz ou da qualidade do esperma utilizado). Recentemente um dos veterinários da equipe Birds & Cia/NIAAS foi chamado para averiguar o que seria até então um tumor perto do olho esquerdo de um curió. Durante o exame clínico foi percebido que na verdade se tratava de um “olho extra”. Por mais incrível que pareça, este era um animal adulto. Geralmente, anomalias congênitas levam a morte do animal ainda filhote, mas não nesse caso. O “olho extra” não tinha função, não enxergava e como não estava atrapalhando o animal, foi deixado da forma como estava. Esta condição assim como outras são pouco estudadas em aves em geral e muito mais evidenciadas em ruminantes, por isso exemplificaremos mais dessa forma. Mais próximo do que aconteceu com nosso paciente curió, temos casos de ciclopia em bovinos, condição onde ao invés de dois olhos o animal possui um olho apenas ou a anoftalmia, onde pode não haver olhos. Braquignatismo e prognatismo, onde os animais podem nascer com a mandíbula ou a maxila mais curtas, respectivamente. No caso de aves, as ocorrências mais comuns são de angulações erradas no bico, fazendo com que o animal não tenha uma boa preensão de alimento. Dedos a menos ou a mais, dedos unidos e até mesmo ausência de asas. Concluindo, pessoal: para evitar erros procurem um profissional especializado. É preciso avaliar a existência de condições hereditárias que podem comprometer toda uma temporada! O texto foi elaborado pelo Dr Ivai Albuquerque membro do Consultorio Birds & Cia/NIAAS único que funciona 24h no Rio de Janeiro para Aves e Animais Silvestres.Quem gostou compartilha e da um Joinha!