Candidíase em Aves: O que faço de errado?

22/12/2011 08:11

 

Prezados leitores e amigos! Estou de volta e com a energia revigorada. Logicamente continuamos basicamente nos psitacídeos, e hoje falaremos sobre Candidíase. Aproveito a oportunidade para mandar um forte abraço aos irmãos Oscar Saldanha e Hélio Saldanha que são amigos e clientes, este último trazendo um resultado fantástico na parte de Cúrio Praia Clássico neste ano. Parabéns!

 

Hoje continuo nostálgico e ouvindo ao fundo Cazuza é que escrevo para vocês. Se preparem que será um artigo de revelações para muitos. Quem nos acompanha sabe que realizei o meu Mestrado exatamente em Microbiologia Veterinária por isso me sinto confortável para escrever sobre esses assuntos que poucos ousam abordar. Enfim, desejo uma boa leitura aos amantes das aves e assinantes da Revista Pássaros.  

 

O fato mais importante é compreendermos que candidíase é a doença causada pelo fungo do gênero Candida. E que este fungo habita comumente e faz parte da biota do trato intestinal das aves. Obviamente este é passado quando os pais alimentam o filhote. Então já vamos a primeira revelação. Quando realizamos exame parasitológico de fezes em nossas aves é lógico que dependendo da técnica utilizada teremos a visualização de Candida. Mas a ave possui candidíase? Provavelmente não. Mas vejo muitos diagnósticos serem feitos assim e o pior o uso de antifúngicos indiscriminadamente.

Existem inúmeras de espécies de Candida, mas de maneira geral é um fungo oportunista, ou seja, desenvolve em animais jovens ou com baixa imunidade. Nos psitacídeos a Candida provoca a formação de placas esbranquiçadas na cavidade oral (Orofaringe) e crostas nos cantos  (comissura) do bico. A candidíase afeta todo o aparelho digestivo das aves, mas tem por referência o papo, causando o acúmulo de alimento e fermentação, mas nem sempre é assim, pois pode ocorrer emagrecimento do animal como resultado de uma Síndrome de Má Absorção. O diagnóstico diferencial para essas placas esbranquiçadas deve envolver deficiência de vitamina A sempre.

Vejo muitos criadores usarem antifúngicos na papinha do filhote. Mas por que isso? Nem eu mesmo sei. É muita crendice que é passada a gerações. Sem falar na baboseira de que se trata pivite com nistatina e vitamina A. O uso de antifúngicos quando a ave ainda é um filhote é completamente equivocada, além de desiquilibrar toda biota do trato intestinal sobrecarrega o organismo do filhotinho e acaba por fim favorecendo o desenvolvimento de alguma enterobacteria que acaba levando a morte do filhote.

 

Todos esses assuntos já foram abordados aqui por mim. Então junte as peças do quebra cabeça. Compre e leia as edições passadas. Hoje infelizmente vemos surgir com força uma doença chamada clamidiose nos psitacídeos. O resultado direto disso é o total despreparo da maioria dos criadores que não se preocupam com a sanidade do seu plantel e pela falta de informação dos proprietários. Hoje temos inúmeros laboratórios que realizam esses exames sanitários. Então vamos correr um pouco atrás. E a candidíase nessa história?!

 

Na verdade era só para atentar ao fato que o tratamento envolve uso de antibióticos e vejo algumas aves desenvolverem Candida de forma iatrogênica. Por isso o acompanhamento de um médico veterinário especializado e com experiência é fundamental.

 

A célula fúngica é muito semelhante à célula animal, por isso o tratamento de candidíase é longo por um período na maioria das vezes não inferior a 30 dias. E o principal, o tratamento sempre envolve o uso de probióticos e prebióticos com o intuito de recolonização e a criação de uma barreira competitiva em todo trato intestinal.

 

Despeço-me por aqui. Consulte sempre seu veterinário especializado. E deixo o pensamento do mês como uma homenagem ao Sr. Almir Lobato da Sociedade dos Criadores de Pássaros Exóticos do RJ pelo encontro realizado neste mês: ´´Os pequenos discutem, os medianos questionam e os grandes fazem´´. Forte abraço e até a próxima!

 

 

Foto 1 e 2.: Lesão ocasionada por Candida spp na comissura do bico.

 

Foto 3.: Lesao em Papagaio (A. aestiva). Observe acúmulo de comida.

 

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      Dr. Felipe Victório de Castro Bath

   Médico Veterinário CRMV-RJ 8772

Especialista em Biologia, Manejo e Medicina da Conservação dos Animais Selvagens SENAC/RioZOO

  Mestre em Microbiologia Veterinária pela UFRRJ

 

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